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Image: Gettyimages
Comment: HaloScan
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[27.4.08]

You can say that everything is gonna be fine how many times you want to. I really do not mind, I just cannot promise that I will believe it and sleep well today. I cherish those things that never even happened. I keep waiting for something that I'm pretty sure is not going to be real. You said that sometimes it is like you need me. If this is true I would like you to teach me how you deal so well with needing and not having. Do not say that you had already grown up and now you know bare this and one day I will know too. I am not that fool.

I was thinking and I realized that you will never read this. And I am sorry for this, I wish you could know how I feel. I will never tell you. We both know that. This words can not have the sadness they should. I really wanted things were different. For me, for you, for her. I cannot wish your happiness when I know I am not part of its. I wish I was a little part of your routine. To know about the way you are used to sleep, the first things you are used to do when you get up and when you go to bed.

You go home in the end of the day missing her and I would like to remind you that you are not going to se me for the next days. But I think it is better to shut up and let you realize it by yourself. I am waiting for this day. Hoping that you will call me and not talk about work.

I will be waiting. It is one of my best skills.

Por Line às 20:43 []


[7.4.08]

Eu me assustei quando ouvi o barulho da chave na porta, olhei no relógio e ainda não tinha completado nove. Em uma sexta-feira a noite. Surpreendente. Arrumei o meu cabelo e fingi que estava interessada no programa que passava na televisão. Sei exatamente o sorriso que ele deu quando ouviu o barulho da tv e se deu conta de que eu estava em casa. Fiquei imóvel no sofá, ouvi o barulho do armário batendo, da porta da geladeira, da torneira.

Quando ele entrou na sala com um copo de água na mão eu o achei lindo. Tinha esquecido do seu jeito de andar, de deixar o cabelo bagunçado. Ele me estendeu o copo sem tirar os olhos dos meus e colocou o remédio na minha boca. Eu tomei engolindo as lágrimas.

- Tinha certeza que você ia esquecer. Tem que se cuidar, se acontecer alguma coisa com você... ah. Não esquece de tomar, por favor.

Não disse nada. Coloquei o copo no chão e levantei a coberta, abrindo espaço pra ele sentar do meu lado. Ele parecia assustado, mas sentou e tirou os sapatos. Ficou me olhando com um ponto de interrogação no olhar até que perguntou se eu pintei o cabelo. Eu respondi que o que ele via de diferente em mim não era físico. Eu abri meus braços pra ele se aconchegar melhor. Deitou no meu peito e perguntou se podia pedir uma coisa. Pode.

- Quando formos dormir, não vira as costas pra mim não. Me abraça, me deixa te abraçar, encosta sua mão na minha, joga uma perna em cima de mim, qualquer coisa. Eu preciso muito disso, eu juro que preciso.

Eu não engoli o choro. Ele me abraçou forte, muito forte. Também (ainda) te amo.

Por Line às 21:01 []


Oi. Sou eu. Como assim eu quem? Eu, ué. Eu sei que você sabe que eu sou eu, só não quer me deixar saber que você ainda reconhece minha voz depois de tanto tempo. Deixa de ser orgulhoso e presta atenção. Eu tenho uma tonelada de coisas pra te dizer e vou dizer tudo muito rapidinho e ai de você se me interromper porque se eu esquecer eu vou ficar brava e vou fazer aquela voz de menina rabugenta e você vai achar bonitinho porque você é bobo e eu vou amolecer. A intenção não é ficar de mimimi, então já sabe, você fica quieto e presta atenção. Onde você tá? Então deita, que isso pode demorar. Você parece entediado. Você está entediado? Porque se você estiver entediado agora, daqui dez minutos você estará morto porque noventa por cento do que eu disser vai soar bobagem pra você, mas você precisa ouvir porque é importante pra mim e você gosta de mim e se importa comigo. Como eu tenho certeza disso? Oras. Primeiro que você está proibido de fazer perguntas com essa voz de riso, querendo me sacanear. Segundo que eu deduzi que você gosta de mim porque eu sou inteligente. Eu sempre deduzo errado, mas dessa vez eu acertei. Pensa comigo, se eu sempre gostei mais de você do que você de mim... ah, não! Não me venha com esse papo de que isso é coisa da minha cabeça porque eu sei que não é. Eu quem sempre acordou no meio da noite só pra ter certeza que você ainda estava lá. Eu quem sempre ficava minutos com o telefone no ouvido depois que você desligava e eu poderia dar mais mil exemplos. Então, eu tenho razão, fica quieto. Continuando, como eu sempre gostei mais e hoje em dia o amor diminuiu mas ainda é grande pra caralho eu deduzo que o seu também diminuiu, por causa dos nossos sofrimentos todos, né? Aquelas coisas chatas que a gente viveu e tenta acreditar que foi fundamental pra construção do caráter e tal. Então, o seu amor diminuiu mas não a ponto de você preencher um cheque pro dia oito de agosto e não lembrar que esse dia é nosso e sentir uma coisinha estranha no peito. E se você não gostasse também, vamos combinar, não estaria ouvindo essa babaquice toda que eu tô dizendo nos últimos cinco minutos e meio. Só eu posso achar babaquice, você tem que ouvir como se fosse importante, tá? Não, eu não perdi a mania de ser mandona. Eu sei que você gosta assim. Poxa, eu sinto tanta saudade. Hoje passei lá na rodoviária, só pra ficar olhando praquele cantinho que a gente se encontrou e deu nosso primeiro beijo. Aquele foi o beijo mais gostoso que eu já tive, acho que já te disso isso. Foi tudo tão do jeito que a gente imaginava que parecia mentira. Por que você tá rindo? Eu odeio quando você ri e diz que é porque eu sou bonitinha. Eu devo ser uma graça mesmo, porque você vive rindo de mim. Bah. Agora eu já me perdi e não lembro o que queria te dizer. Acho que eu só queria dizer que sinto muito a sua falta, mesmo. Porque é verdade, sabe? Eu até choro, de saudade. É claro que eu sei que eu choro por tudo, mas é que chorar de saudade é demais. Eu devo gostar mesmo de você. Volta logo, por favor.

Por Line às 21:01 []



Você pensa que eu não percebo que você quer extravasar o carinho que sente. Depois de tanta vida dividida você deveria saber que essas coisas não se esconde por muito tempo. Quero ver só até quando você vai aguentar. Até quando ficar me olhando por cima do livro enquanto eu tomo sorvete fazendo lambança parecendo uma criança será suficiente. Eu tenho vontade de te dizer que não precisa disfarçar, que você pode me olhar e rir de mim se quiser, eu não me importo. Mas não digo. Gosto de perceber seu olhar, de perceber você se segurando pra não levantar e passar o guardanapo no meu queixo. Eu sorriria se você o fizesse e dividiríamos um daqueles momentos que o tempo parece parar e duraria até que um dos dois piscasse e se lembrasse que o agora não é assim tão bonito.

É difícil lidar com esses impulsos, dormir e acordar do lado de quem parece ter gelo no lugar do coração, mas você me tornou assim. Eu costumava ser a menina com uma flor. Você lembra? Lembra quando eu adormecia no sofá e você me pegava no colo pra me levar pra nossa cama e eu acordava, mas fingia que não, só pra não ir andando? Lembra como você achava bonitinho eu dormir com duas meias? Quando eu acordava no meio da noite e te percebia virado de costas, emburrava e na manhã seguinte eu nem te dava bom dia? Hahahaha. Isso era engraçado. Você não entendia nada, passava a manhã inteira se perguntando o que fez de errado e me adulando enquando eu agia como o ser mais injustiçado do mundo. E quando eu disse, a primeira vez, o motivo da minha manha você riu até não poder mais. Minha cara feia só aumentava. Você tirou sarro de mim durante semanas.

Eu lembro dessas e de todas as outras coisas. De todas as noites que você teve pesadelos e me abraçou tão forte que eu pensei que ia morrer sufocada. De todas as vezes que a gente saia pra jantar e mudávamos de idéia na esquina de casa, porque pedir pelo telefone e comer na cama era bem mais atraente. De todos os fins de semana que fez frio e nós hibernamos como dois ursos grudados. Dos fins de semana que fez calor e nós ficávamos jogados, um em cada sofá de mãos dadas (porque desgrudar estava fora de cogitação), reclamando da vida.

Eu fico pensando se são essas lembranças que te deixam assim, tão atormentado. Com esse aspecto sorumbático que é típico de fim de domingo.

Tem sido difícil não perder a linha. Tem sido, pra dizer o mínimo, insuportável. Não adianta mais tentar consertar, tenhar tornar nosso ambiente agradável, passou da hora. De nós fizemos cacos e os mastigamos descontando toda a mágoa que pudemos, pra tentar livrar, pra tentar provar, pra fazer doer, pra fazer sangrar. Ficou difícil de engolir. Queria eu poder cuspir, dar descarga, esquecer. Mas você não deixa, você gosta de sentir o gosto da nossa desgraça, do nosso fracasso, dos nossos sonhos destruídos.

Tem sido difícil de acreditar que já fomos ótimos juntos.

Por Line às 20:59 []


eu pensei em cozinhar de novo só pra relembrar sua cara de "duvidoquefoivocêquefez". fiquei em dúvida se a sua torta preferida era de morango ou maçã. eu não entendo por que sempre confundo as duas. não entendo por que o tempo passou e me fez pensar que isso não importava mais. senti preguiça. a surpresa nos seus olhos não incentivava o meu esforço de ir pro fogão. eu odeio cozinhar, lembra? não te culpo se não lembrar, eu sei que é difícil se lembrar de tudo. ainda mais quando se trata das coisas que eu odeio. eu entendo você, sim. não, eu não ligo mais pra essas coisas. sim, eu mudei. não me faça tantas perguntas, não me peça tantas explicações. eu sinto preguiça até de falar.

não cozinhei. pedi pizza e esperei. eu não gosto dessa pizzaria que a gente pede sempre, eu já te disse isso? eles demoram tanto e eu sempre espero a barriga roncar pra pedir. odeio esperar, ainda mais com fome. a pizza chegou antes de você. não sei por quanto tempo eu esperei, me distrai juntando os bilhetes pra jogar fora. os bilhetes que foram o nosso único meio de comunicação nessas últimas semanas (quantas?). frases curtas, eu só escrevia por obrigação e sei que você também. um guardanapo rabiscado não demonstra a amargura de quem escreve. mas isso também não faria mais diferença. nem pra mim, menos ainda pra você.

comi sozinha, metade da pizza. não é delicado comer tanto, eu sei. mas você nunca ligou, nem em público. o seu medo de que eu emagrecesse sempre foi enorme, aliás, você sempre foi mais paranóico que eu com o meu peso. não podia me ver com alguma roupa mais larga que já reclamava e amarrava a cara. eu já disse que eu te acho estranho? eu não consigo me lembrar se já te achava esquisito antes. do mesmo jeito que não consigo me lembrar de como era quando eu tinha medo de ficar aqui sozinha. é tão normal, agora.

vou escrever mais um bilhete, hoje, só pra não perder o ritmo. peguei o guardanapo, escrevi "três anos" com tanta falta de jeito que acabou rasgando um pouco. eu tinha o maior jeito pra escrever em guardanapos antes. deixei o bilhete em cima da caixa com a sua metade da pizza. você vai chegar quase bêbado, como todos os outros dias, vai ler e chorar. porque agora quem chora é você. não sei o que você vai responder, se é que vai. de qualquer forma, só queria que você soubesse. eu sempre quero que você saiba e você, quando sabe, logo esquece.

somos assim agora. você chegando de madrugada com cheiro de bar e eu fingindo que não percebo. você sentindo a minha frieza por falta de sentimento e preferindo acreditar que é arrogância. não tomamos o rumo que queríamos, apesar de termos desejado coisas diferentes. antes esperávamos pela iniciativa de qualquer tipo de carinho. agora esperamos pela coragem de dizer que esse é o fim.

Por Line às 20:58 []